Núcleo Fixo Urca

Criada por músicos de choro em 2000 a partir da necessidade de passar adiante seus conhecimentos sobre o gênero, a Escola Portátil de Música vem, desde então, protagonizando uma história de crescimento e sucesso. Começou com cerca de cinqüenta alunos na Sala Funarte e hoje atende a cerca de 1000 alunos em seu Núcleo Fixo, aos sábados, no campus da Uni-Rio, na Urca. São 40 professores ministrando aulas de instrumentos (flauta, clarinete, saxofone, trompete, trombone, tuba, contrabaixo, violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro, percussão, piano e canto), cursos teóricos (harmonia, solfejo, leitura rítmica) e cursos especiais (Acompanhamento de Samba, Samba Novo), sem falar das aulas de apreciação musical e na roda de choro. A formação musical oferecida pela Escola Portátil de Música é completa (teórica e prática), dando ao aluno formado a possibilidade de trabalhar dentro de qualquer estilo musical, não apenas do choro. Por isso tantos candidatos buscam se matricular a cada ano, atraídos pela proposta inédita de promover a educação musical por meio da linguagem do choro. O objetivo da EPM é dar ao aluno fundamentos educacionais, profissionais, sociais e emocionais, para que ele possa trilhar uma carreira de sucesso e uma vida produtiva como artista e como cidadão. 

O ensaio aberto semanal do Bandão - provavelmente o maior regional do mundo, que reúne alunos avançados e iniciantes - já virou, graças ao boca-a-boca, uma mistura entre programa carioca de sábado e atração turística informal. Ali, aos pés do Morro da Urca, curiosos e amantes da boa música comparecem toda semana para ouvir os arranjos especialmente feitos para o grupo, seja de clássicos da música brasileira, seja de composições inéditas. 

A Escola Portátil é uma iniciativa do Instituto Casa do Choro, que promove também, anualmente, o Festival Nacional de Choro. Ao reunir estudantes, profissionais e amadores em um mesmo ambiente, o Festival promove um encontro inédito, um intercâmbio de experiências que não tem equivalente no país. Desta forma, transforma-se em um ambiente propício à troca de informações sobre o que acontece em todo o Brasil em relação ao choro, e a projetos que utilizem a música como veículo. Dessa troca de informações resultam iniciativas em todo o país e até no exterior, que evidenciam o potencial multiplicador do Festival. 

Por que o choro? 

O choro é uma das mais antigas músicas populares urbanas do mundo, com cerca de 150 anos de existência e em plena efervescência nos dias de hoje. Foi grande escola e referência para alguns dos mais importantes músicos e compositores brasileiros, como Anacleto de Medeiros, Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Sivuca, Hermeto Paschoal, Tom Jobim, Altamiro Carrilho, Baden Powell, Raphael Rabello, entre tantos outros. Surgiu em meados do século XIX no Rio de Janeiro, a partir de influências diversas que confluíam para a então capital do Brasil, e rapidamente se espalhou por todo o país. Durante o século XX, o choro conheceu um notável desenvolvimento, tanto em termos de composição, interpretação e registro quanto em alcance, tornando-se sem dúvida uma música nacional. Matéria-prima de compositores que estruturaram a música brasileira, inclusive a de concerto, como Villa-Lobos, Radamés Gnattali e Guerra-Peixe, o choro contribuiu para fazer a nossa música respeitada em todo o mundo. A partir dos anos 60, entretanto, sem espaço nas rádios, TVs e demais veículos de comunicação de massa, o gênero passou a ser menos divulgado, e freqüentemente rotulado como uma "música do passado". 

É esse o panorama que a EPM e o Instituto Casa do Choro vêm revertendo com sucesso, por entender que o choro, enquanto uma das maiores riquezas culturais do Brasil, deve ser continuamente explorado, pesquisado e conhecido, para gerar cada vez mais frutos. Graças ao alto nível do seu corpo docente e à sua metodologia de ensino, que privilegia a prática, a composição e o estudo histórico da música carioca, a EPM vem colocando o choro em posição de destaque no cenário do século XXI, incentivando jovens compositores que, por seu estudo do repertório dos mestres dos séculos passados, colaboram para o alargamento do repertório contemporâneo de forma fundamentada, com base em referências sólidas.


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